quarta-feira, 22 de maio de 2013

Telhado de Vidro

(Galleria Vittorio Emanuele II - Milão 
 imagem retirada do google, desconheço a autoria)


Estava sentada coberta por uma grande cúpula de vidro. Inclinou a cabeça para trás e olhou o ‘infinito’. Era encantador. O céu azul deixava-se entrever e de quando em quando uma nuvem passava mostrando a sua forma e a sua leveza.
Gostava que o seu telhado de vidro fosse assim…pacífico.
Mas não era. Através da sua transparência só deixava entrever uma tempestade enorme, que tinha direito a nuvens grutescas e trovões estridentes.
Era esta a imagem que tinha sempre que olhava para o seu interior.
Não podia enganar-se a si própria, podia ausentar-se da realidade, esconder-se de si, mas não adiantava.
Queria estar só, pensar em tudo. Olhar para si e tentar saber o que queria.
O que estava para trás, para trás estava, mas quando divisava o seu telhado de vidro… normalmente acontecia quando a faziam reviver o passado. Reviver o que já viveu e o que não quer recordar mais. Umas vezes eram intencionais outras nem tanto.
Havia quem quisesse partir o seu telhado para que todos soubessem como era.
Se ela própria não se sabia definir, como podem os outros tirar conclusões precipitadas a seu respeito?
Que intromissão.
Sentia-se abafada.
Era injusto.
Cada um tem o direito de ter o seu ‘cantinho’, desde que não prejudique mais ninguém.
Mas é mais fácil saber dos outros, descobrir os outros, lembrar aos outros o que fizeram, do que fazer isso tudo a nós próprios.
Escondia.
Escondia sim coisas suas, pensamentos, sonhos, irrealidades que se prejudicassem seria apenas a ela própria não a outros.
Sabia que não era ‘livre’ aliás ninguém é. O ser humano não o é.
Então gostaria de pelo menos ser ‘livre’ no seu pensamento, na sua escrita…

Porém, o que escondido está interessante será. Ou não.

‘Diz-me o que escondes, o porquê de fazeres tanto segredo’
‘O que te garante que eu tenho um segredo?’
‘Todos temos segredos’
‘Existem certos ‘segredos’ que só a nós próprios diz respeito e ninguém tem o direito de interferir. A bem dizer, não considero ‘isso’ um segredo’
‘Todos têm um telhado de vidro e tu não és excepção’
‘Tens razão, todos temos um telhado de vidro, por isso aconselho-te a protegeres o teu ao invés de tentar partir o meu.’

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Histórias que um rosto esconde

(Fotografia da minha autoria)


Lembrava-se como se fosse hoje…
Andava a fotografar.
Ao longe viu o seu andar, desleixado e pesaroso.
Era um andar sem energia e sem convicção.
As costas estavam vergadas e fazia uma corcunda.
De um lado o casaco pendia mais que o outro.
O cabelo esbranquiçado ‘voava’ ligeiramente.
De saca na mão lá ia.
Sem pressa…
Continuou a fotografar, mas aquele andar entranhou-se no pensamento. As esculturas que decoravam os edifícios passaram a ser só isso, simples esculturas.
Tudo perdeu o interesse, excepto aquele andar.
Continuou a fotografar, quando deu por si deparou-se com o homem de momentos antes.
Estava sentado.
As pessoas que passavam olhavam-no com desdém e faziam comentários maldosos. Diziam que ele cheirava mal, que era maluco, que era mais um sem-abrigo, que provavelmente seria um bêbado… o que é certo é que não via nada disso naquele rosto.
Mesmo ouvindo estas palavras o homem permanecia alheio. Não ouvia ou fingia não ouvir. Ou seria de ouvir tantos comentários repetitivos que se tornaram rotina?
Não sabia. Ele não se defendia.
O que sabia era que via muito mais que essas opiniões vãs.
Podia ser um sem-abrigo de facto, mas o que o tinha tornado assim? Porque vivia de forma tão desleixada? Viver seria para ele só isso, viver? Um acto de respirar e inspirar? Teria tido sonhos? Teriam por ventura barrar-lhe oportunidades de seguir o seu sonho? Teria família? Teria estado sempre nessa situação de ‘sem-abrigo’ ou teria, como muitos ‘senhores’, ter tudo e de repente ter um nada?
Olhou a posição dele. Estava encolhido. Vai ao bolso e tira umas moedinhas, lentamente conta. Olhou para os seus dedos compridos e viu a maneira como as contava. Não queria deixar escapar nenhuma. Pela forma como as contava agarrava-as como se fosse um tudo, afinal eram poucas.
Sem mais tempo a perder pega na máquina e fotografa-o. Ele como momentos antes nem se digna a olhar, não se importa. Continua o seu afazer sem se alterar.
E continuou a olhar. A fazer múltiplas perguntas, não o repreendendo não o fazendo menos pessoa que as restantes, mas de certa forma este desconhecido, que para muitos não tem valor devido à sua condição não valia nada, tinha despertado a sua curiosidade.
Não sabia a sua história, de certeza que tinha muitas para contar, mas não o maltratou.
Ninguém sabe…

As histórias que um rosto esconde.

***ANTES DE… Julgar, maldizer, condenar, fazer pouco dos outros, o que é muito fácil, dignem-se a pensar o que levou à outra pessoa estar na situação em que se encontra…hoje pode-se gozar com essas pessoas mas amanhã pode-se estar na mesma situação que elas. Ninguém sabe o dia de amanhã***

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Errado

Visto-me
Com a irrealidade
Que me domina.
Vivo
Pelo simples facto
De viver.
É tão dificil ser perfeito!
É tão mais fácil fazer tudo ERRADO!
O ERRADO está
Em ninguém gostar do Errado!
Excepto eu
Que ADORO ESTAR ERRADA!

EU ESTOU CERTA...SEMPRE ESTIVE
JA SABIA QUE IA SER ASSIM....
MAS GOSTAVA DE ESTAR ERRADA...

NEM TUDO TEM UM FINAL FELIZ.....

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Ruinas com Imaginação

Para além do vandalismo para além do acto de rabiscar uma parede o grafite é algo mais, é a imaginação a falar mais alto é a necessidade de transmitir uma mensagem.
Por incrível que pareça existem espaços já esquecidos que ganham vida graças aos grafites.
As ruínas estão lá á espera da imaginação de alguém. A imaginação chega e essas ruínas são transformadas em arte mas
mesmo assim com vida renovada acabam por cair no esquecimento da mesma forma e quem sabe, juntamente, um grande talento.










































terça-feira, 17 de março de 2009

Morrer por Amor a um Beijo

O cântico fúnebre já se iniciou.
O seu sussurro espalha-se.
O seu amor está a ser assassinado
Pelo ser que ama.
O seu destino entrelaça-se com a dor,
A dor cruel do amor.
As suas últimas lágrimas caem
Dos seus olhos negros,
Formados pelas nuvens
Que escondem o mais puro sentimento.
Está sozinho.
E sozinho chora a sua tristeza.
Anseia pelo acto final
E por ele verga-se,
“Implorando por um último beijo”.
Pelo beijo que ao ser concedido
O aniquila.

Morre, por amor a um beijo.
Da sua amada Primavera.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Le Prince de ce Monde

Le Prince de ce Monde é uma longa-metragem de Manuel Gómez.
“O Padre Donato pensa encontrar a paz numa pequena aldeia, longe das tentações mundanas. Mas a baronesa De Bailleux, uma jovem aristocrata ninfomaníaca tem outros planos para o clérigo.”

Tudo decorre numa pequena e pacata aldeia, mas nem por isso menos estranha. O pecado caminha a passos largos na aldeia principalmente dentro das quatro paredes da igreja. O novo padre foge da vida mundana da cidade, mas ao chegar ao espaço que vai frequentar encontra num armário revistas que contem nas suas páginas o “pecado” que tanto foge. Na hora da oração e de ouvir a palavra de Deus todos estão presentes. Um ser feminino inicia um acto de beata, diria fingida mas a melhor palavra talvez seja mesmo hipócrita, que na hora de “tomar o corpo de Deus” recebe-o, mas ao virar costas retira-o da boca e coloca a hóstia numa pequena caixa, como que a rejeita-lo.
A baronesa logo se interessa pelo clérigo e facilmente marca um encontro com ele numa mansão abandonada. O padre Donato não resiste aos seus encantos e logo fica preso na sua teia carnal, para alem do padre Donato a baronesa também se envolve com os outros clerigos. Quando este acorda, repara em algo estranho e sobe as escadas até ao último piso e lá vê os “restos” do ritual em que a filha da baronesa é o principal objecto. O padre depois deste acontecimento vai ao manicómio onde está internada a filha da baronesa. Para além da baronesa o padre também se envolve com uma jovem da aldeia. A baronesa ao descobrir investe contra a pobre jovem através das artes do vudu, mas o mais estranho é ser ela a avisar Donato, sendo este a pôr fim ao ritual. Após este acto, o padre mata a baronesa nas águas de um lago próximo. Logo de seguida o padre mata a jovem que espera um filho seu.


Partes da longa-metragem um pouco sem nexo
-Se o padre foge das tentações mundanas porquê que se deita com o pecado carnal? Pelo que parece ele foge por saber que não consegue resistir ao corpo feminino.

-Um ritual abominado pela igreja é no fim de contas organizado por membros da mesma.
O ritual é marcado num corpo jovem e nu, mas o mais curioso é que não se vê o símbolo que o bispo marca no corpo. Será o pentagrama que aparece no fim do filme no anel que a baronesa mete no dedo da filha? Não se sabe.

-É estranho ver duas freiras, na calada da noite, á entrada do cemitério e darem um beijo (se é que deram, os chapéus estranhos que lhes cobria a cabeça não deixava ver, fica aqui a interrogação no ar). Este ritual também decorre à frente de um jazido.

-Não é muito agradável ter pesadelos de alguém que se está a afogar e não poder ajudar mas mais estranho ainda é ter medo deste pesadelo e matar uma pessoa com esse processo. Se esse é um medo que atormenta o padre no seu sono é estranho que depois ele tenha a coragem de por termo a uma vida, a vida da baronesa.

-A filha da baronesa aparece sempre numa cadeira de rodas mas perto do fim ela aparece de pé sem qualquer tipo de dificuldade e no manicómio ela mexe as pernas, a questão que fica no ar é saber o porque de ela aparecer á frente de todos numa cadeira de rodas.

-A freira que acompanha o bispo é freira ou freiro? A mim parece-me mesmo que é uma freira com corpo masculino.

-Sem duvida que o padre cometeu um terrível erro ao deitar-se com uma jovem da aldeia e desse erro deu fruto. Matar a mãe e o seu próprio filho que ainda nem sequer nasceu é sem duvida um acto atroz mas ainda pior é baptizar o bebé, é no mínimo macabro. Pena que um ser inocente seja sacrificado em prol de um deslize e talvez para não manchar a reputação do padre Donato.


Na verdade estava á espera de algo mais e certamente quem viu o filme de certo que concordará em parte com esta opinião. A nível técnico está muito bem realizado.
Esta longa-metragem fez-me lembrar um file português em que a historia é bastante semelhante de certo que já todos ouviram falar do “Crime do Padre Amaro”.

Apesar de não ser o que estava à espera gostei de o ter visto, mas gostei principalmente de ter ido ao FantasPorto 2009.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Bilhetes po Fantas

Quando os nossos amigos têm sorte, nós também costuma-mos ter.
E foi isso que aconteceu.
Eu e a minha chatinha mas querida amiga concorremos num passatempo para ganhar bilhetes para o FantasPorto 2009. Bem, como eu não tenho sorte nenhuma neste tipo de coisa a sortuda da minha amiga ganhou. A escolha dela como companhia de cinema FUI EU, vah ate teve uma boa escolha.
O filme que ela escolheu foi “Le Prince de ce Monde” de Manuel Gómez, acho que é uma boa escolha, mas depois eu digo realmente se foi.

Bem Teguesa até 4ª feira. :)