(Galleria Vittorio Emanuele II - Milão
imagem retirada do google, desconheço a autoria)
Estava sentada coberta por uma
grande cúpula de vidro. Inclinou a cabeça para trás e olhou o ‘infinito’. Era
encantador. O céu azul deixava-se entrever e de quando em quando uma nuvem
passava mostrando a sua forma e a sua leveza.
Gostava que o seu telhado de
vidro fosse assim…pacífico.
Mas não era. Através da sua
transparência só deixava entrever uma tempestade enorme, que tinha direito a
nuvens grutescas e trovões estridentes.
Era esta a imagem que tinha
sempre que olhava para o seu interior.
Não podia enganar-se a si
própria, podia ausentar-se da realidade, esconder-se de si, mas não adiantava.
Queria estar só, pensar em
tudo. Olhar para si e tentar saber o que queria.
O que estava para trás, para
trás estava, mas quando divisava o seu telhado de vidro… normalmente acontecia
quando a faziam reviver o passado. Reviver o que já viveu e o que não quer
recordar mais. Umas vezes eram intencionais outras nem tanto.
Havia quem quisesse partir o
seu telhado para que todos soubessem como era.
Se ela própria não se sabia
definir, como podem os outros tirar conclusões precipitadas a seu respeito?
Que intromissão.
Sentia-se abafada.
Era injusto.
Cada um tem o direito de ter o
seu ‘cantinho’, desde que não prejudique mais ninguém.
Mas é mais fácil saber dos
outros, descobrir os outros, lembrar aos outros o que fizeram, do que fazer
isso tudo a nós próprios.
Escondia.
Escondia sim coisas suas,
pensamentos, sonhos, irrealidades que se prejudicassem seria apenas a ela
própria não a outros.
Sabia que não era ‘livre’
aliás ninguém é. O ser humano não o é.
Então gostaria de pelo menos
ser ‘livre’ no seu pensamento, na sua escrita…
Porém, o que escondido está
interessante será. Ou não.
‘Diz-me o que escondes, o
porquê de fazeres tanto segredo’
‘O que te garante que eu tenho
um segredo?’
‘Todos temos segredos’
‘Existem certos ‘segredos’ que
só a nós próprios diz respeito e ninguém tem o direito de interferir. A bem
dizer, não considero ‘isso’ um segredo’
‘Todos têm um telhado de vidro
e tu não és excepção’
‘Tens razão, todos temos um
telhado de vidro, por isso aconselho-te a protegeres o teu ao invés de tentar
partir o meu.’



